sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

FELIZ 2012! FELIZ 2013!

Bom, minha gente. Este, provavelmente, será o último post do ano. Encerrei a Operação por 2012, volto no começo de janeiro. Espero poder fazer mais posts de agora em diante. Minha vida profissional já se estabilizou, saí do tronco da escravatura, terei horários normais a partir de 7/1.

Fizemos 43 capturas oficiais - sem contar algumas "por fora". Dessas, 27 foram meninas, gatinhas, mais novas ou mais velhas, algumas semi-bebês que já eram mamães, que não precisam mais se preocupar em defender seus filhinhos das ameaças do mundo. Porque esses bebês não existirão. 

Já postei aqui uma vez e hoje também na página do Facebook, que, em sete anos, uma única fêmea é capaz de produzir 509.097 gatinhos. Multiplicamos isso pelo número das 27 que capturamos e, em sete anos, teremos A MENOS 13.745.619 bebês-gatos sofrendo por aí.

Adoro passar por eles e ver as orelhas cortadas, saber que ficarão bem e terão muito mais qualidade de vida depois da cirurgia. Se pudesse, pegaria todos, mas não dá. Tem gato demais por aí e eu ainda não ganhei na Mega Sena pra poder parar de trabalhar e fazer só isso da vida. Quem sabe na virada, né? Talvez fique mais fácil se eu passar por uma lotérica e jogar. Mas, devagar e sempre, como diria meu avô.

Infelizmente algumas mamães escaparam da gatoeira e tiveram suas crias e, por isso, em duas colônias que eu achei ter terminado, terei trabalho no ano que vem. Mas está bom assim também. Muita gente me ajudou, inclusive financeiramente, e tenho certeza de que serei capaz de financiar o projeto no ano que vem.

Quero,então, agradecer a todo mundo que me acompanha no meu trabalho. Quem me ajudou com a verba, quem comprou meu livro ou minhas camisetas, que compartilhou o blog, quem criticou. Enfim, todo mundo que está junto na batalha. Muito bom saber que tem tanta gente legal - que fiquei conhecendo pelos gatos em comum - espalhada por aí, ajudando os animais. 

Desejo pra todo mundo um santo Natal. Que possamos nos lembrar que Natal é, antes de tudo, o nascimento do Amor no meio de nós. Jesus veio para nos ensinar a amar a Deus, a Ele próprio, aos nossos irmãos - inclusive os que não são racionais. E que neste ano, mais uma vez, possamos refletir sobre nossas vidas, nossas atitudes, nossa influência no mundo em geral e no meio em que vivemos, de maneira mais particular.

2013 está logo ali. Que venha com saúde, prosperidade, perseverança, força, amor, paz, muita felicidade pra todo mundo que é do bem. E pra quem não é, que seja o ano do recomeço, ano de passar para o lado certo, o lado da vida, da solidariedade, da generosidade. 

Que o Papai do Céu - e não o Noel, porque este, como vocês sabem, não existe - possa nos acompanhar em todos os dias de nossas vidas. 



Feliz Natal! Feliz Ano-Novo!

Grande beijo pra todo mundo.
Maria Cecília

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O estranho "serumano" - Parte II

Tudo na vida é possível. Eu nunca tinha imaginado que um dia seria gateira, sério. Sempre preferi cachorros, minha família sempre teve cachorros, com exceção da Heloísa - uma gatinha "castrada" e parideira e os gatos Xipicos da minha avó. Até que um maloqueiro com cara de bombril apareceu na minha vida. Apaixonei-me pelos felinos, veio o Nicolau, a Cachaça e mais alguns que passaram por minha casa, para adoção.

Em maio de 2012 comecei o C.E.D em Blumenau e, desde então, meu maior sonho é castrar TODOS os gatos de rua desta cidade que escolhi pra viver. Claro que não será possível por enquanto, pelo menos, não enquanto filhotes não castrados continuarem sendo doados ou pessoas deixarem seus animais não castrados passearem livremente pelas ruas.

Experimentei coisas muito legais, diferentes, desde que comecei com a Operação. Ouvi barulho de gato bravo (morro de medo!), aprendi a diferença entre gato de sofá e gato do mato, aprendi a manejar uma gatoeira, peguei sardinha na mão, virei contorcionista mesmo com a coluna travada que tenho, entre outras coisas. Conheci muitas pessoas desde que me descobri gateira. Muita gente gateira também que existe no mundo e eu nem sabia, de Campinas, de São Luiz do Maranhão, de Araçatuba, do Rio Grande do Sul, de Indaial e de Blumenau, do Rio de Janeiro, enfim, de um monte de lugar. E é essa gente legal que me ajuda a levar o Projeto em frente.

Quando a gente abraça uma causa começa a conhecer os que criticam a causa e sua opinião - e sobre pessoas assim já escrevi no outro posto sobre o "serumano". Hoje quero falar sobre o "serumano" que faz a diferença.

Dia desses capturei um gato cheio de Bernes - o Bernardo - você já deve conhecer a história. Como ele não estava no orçamento da Operação, pedi ajuda pelo Facebook pra pagar a conta do veterinário. Não posso me dar ao luxo de assaltar meu caixa para cuidar da saúde de gatos abandonados, porque não dá, não tenho dinheiro suficiente pra isso. Às vezes, nem pras castrações, que são meu foco. Então pedi socorro, e pessoas que não conheci pessoalmente ainda, me ajudaram, pagaram a conta. Algumas pessoas doaram, a veterinária deu desconto e o Bernardo viveu feliz para sempre. Aliás, ainda está vivendo lá na casa da Dani, que ficou com ele.

Agora estou fazendo rifa, porque, como já falei em outras ocasiões, os gatos brotam do asfalto em Blumenau e os livros não são vendidos na mesma velocidade. Tenho uma fila de aproximadamente 30 gatos para castrar e cada vez que converso com pessoas, a fila aumenta. E eu entro em pânico.

Porém, durante a curta caminhada em prol dos gatos de rua, conheci a generosidade de algumas pessoas que se identificam com meu trabalho. E são essas pessoas que me fazem doações, mesmo sem saber quem eu sou, pois algumas delas me fizeram doação e eu nem tenho como agradecer diretamente, porque são amigas de amigas de amigas, etc. E as pessoas que se ofereceram pra vender a rifa pra mim, muito legal. Muito bom, me faz muito feliz e acreditar que ainda esperança. Não é muito certo crer que os seres humanos do mal são maioria. Embora às vezes seja esta minha opinião. Gente que se importa realmente mexe comigo. 

Muito obrigada a todo mundo que aqui se sentir incluído nos meus agradecimentos. Não quero citar nomes, porque  minha memória não é lá essas coisas e seria muito injusto deixar alguém de fora. Então, se você, de alguma maneira me ajudou ou está ajudando no  meu trabalho, MUITO OBRIGADA, de coração. Um dia, tenho certeza, a vida/ o Universo - chame como quiser - eu chamo de Deus, vai te devolver tudo o que fez por mim, pelos meus gatos, por outras pessoas e outras causas. 

Segundo a Wikipedia: "Generosidade é a virtude em que a pessoa ou o animal tem quando acrescenta algo ao próximo. Generosidade se aplica também quando a pessoa que dá algo a alguém tem o suficiente para dividir ou não. Não se limita apenas em bens materiais. Generosos são tanto as pessoas que se sentem bem em dividir um tesouro com mais pessoas porque isso lhes fará bem, tanto quanto aquela pessoa que dividirá um tempo agradável para outros sem a necessidade de receber algo em troca."

Ser alvo de generosidade é muito bom. Tenho um marido generoso, posso falar pela minha experiência. E receber de todas as pessoas a quem estou agradecendo neste post é também uma experiência muito forte. Me faz, inclusive, rever meus conceitos e atitudes.

Um grande abraço a todos que torcem, compartilham, doam, conversam, pedem informação, vendem minha rifa, etc. Vocês fazem parte do meu mundo, do meu projeto e do meu sucesso até aqui. Para vocês, uma mensagem daquela que, para mim, juntamente com Nossa Senhora, melhor exemplifica o que é servir ao próximo por amor a Deus.



Deus os abençoe.

Maria Cecília


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A primeira colônia completa a gente nunca esquece

Quando eu comecei com o trabalho, fiz planos e cálculos de quando terminaria de castrar toda a colônia inicial. Aprendi na prática que muita coisa não depende de mim: o clima, a agenda do veterinário, a boa vontade dos gatinhos, meu tempo livre, entre outras coisas. Gato é mais esperto que gente, isso eu aprendi também. Eles começam a perceber que a gatoeira fecha e param de chegar perto, por isso precisei interromper todas, pra eles esquecerem que eu existo. Logo vou voltar.

Na colônia nr. 1 tem o Mega Sena, que ficou pra trás. Na nr. 2 só peguei uma, na nr. 3 faltam só nove, que começavam a desaparecer quando eu chegava, na nr.4 ainda estou trabalhando, na nr.5 mamãe e o filhinho, os dois que faltam, já viram a gatoeira fechar algumas vezes e só comem o que está na porta, sem entrar e na nr. 6, ficou um machinho pra trás, porque fêmeas são prioridade.

A colônia nr. 7 é, então, especial e merece ser comemorada. Em primeiro lugar porque quase todas as gatinhas têm uma mutação genética e não têm cauda de tamanho normal. Uma tem até um pomponzinho, parece um coelho. Em segundo lugar porque são quase todas brancas. Em terceiro lugar porque as pessoas que as alimentam gostam delas como se fossem próprias - isso eu entendo, também me apego às minhas colônias -  em quarto lugar porque vão financiar as castrações - ah, se todo mundo ajudasse assim! - em quinto lugar, porque o Bernardo, que tinha 33 bernes e não estava nos meus planos de captura,  acabou sendo adotado por eles. E em sexto lugar, porque foi a primeira colônia que fiz COMPLETA - com créditos de dois gatos machos. O Bernardo e o Sinatra que come por ali de vez em quando e foi castrado para o bem geral da nação. Ambos não estavam nos planos. Lá ainda tem um monte de gatos, mas oficialmente, têm donos. E gato que tem dono eu não castro, simplesmente porque não ganhei na loteria, senão eu castraria TODOS! Um dia ainda quero fazer uma campanha de conscientização de tutores de animais quanto à tela na janela e castração. Mas isso é outra história.

Quero dedicar este post à Dani, ao Anderson e ao Nicolas, que participou de tudo sem a gente saber se ele gosta de gato. Espero que sim, porque até uma almofada de gatinho no berço ele já tem. Muito obrigada. 

A história desta colônia começou quando um casal percebeu que tinha gatos na mata atrás da casa deles. O tempo passando e os gatos, que eram gatas, começaram a entrar no cio. Quem já ouviu gatos em época de acasalamento sabe que terrível que é. Uma gritaria e um pavor interno só de pensar que, rapidamente, quatro gatinhas se transformariam em 20 gatos. Uix! Depois de procurar ajuda em vários lugares, a Dani chegou a São Luiz do Maranhão, aos Felinos Urbanos, da Otávia, minha grande mentora. E ela falou de mim pra Dani, que me escreveu, marcamos e começou.

Copacabana

A primeira captura da super gatoeira foi a Copacabana. É a única delas que não é branca. Aliás, é linda, parece o calçadão de Copacabana nas patas, tem umas listras onduladas. Como se estivesse com um pijaminha, gosto de vê-la em pé. Entrou rapidinho na armadilha, ficou pulando bastante, mas depois se acalmou. Jovem, como todas as outras. 

Emília

Essa mocinha, a princípio era um mocinho. A Dani a chamava de "gatinho conversador". Descobrimos que era fêmea somente quando já estava dentro da gatoeira. Foi bem arisquinha também e recebeu este nome porque conversa bastante. Quem conhece a história do Sítio do Pica-Pau Amarelo conhece também a boneca de pano que tomou uma pílula pra começar a falar e não parou mais. Em homenagem a ela, com vocês, Emília.

Alba

Esta tem história. Estava prenha, bem barriguda quando eu comecei. E, enquanto fui pegando as outras, eis que D. Alba entra na lavação da Dani e tem bebês dentro do armário. Até aí, tudo bem. Eles fecharam as portas e eles ficaram lá, com a companhia da madrinha Copacabana, que fez sala e deu apoio psicológico à nova mamãe por uns dias. As portas e janelas estavam todas devidamente fechadas e, teoricamente, o acesso ao lado de fora, impossível. O objetivo era socializar os filhotes para poderem ser doados depois, porque gato que mora no mato, como são todas elas, não gosta de ter amigos humanos. Um dia, Dani entrou pra alimentar a família e percebeu que as crianças haviam desaparecido. Como ela achava impossível a gata ter saído da lavação, achou que Alba tivesse comido os filhotes. Até hoje não temos certeza do que aconteceu. Só sabemos que ela anda visitando o telhado com muita frequência, então suspeitamos que os fofinhos estejam lá. Cenas dos próximos capítulos daqui a uns dois meses, quando os pequenos, caso ainda existam, começarem a andar e desbravar o território. Serão, provavelmente meus futuros clientes de gatoeira.

Bernardo

Esse cara tem uma história com final feliz. Ele estava indo comer onde os outros também comem, mas era tão capenga e torto que o pessoal achava que tivesse sido atropelado. Comentaram sobre ele comigo. A gatoeira estava armada para a última gatinha branca, que já estava me dando baile.  Eis que ouvimos o barulho da portinha fechando e eu disse: " se for o machucadinho, vai também". Mesmo não estando nos planos, não dava pra deixar o bichinho naquele estado e dormir como se nada tivesse acontecido. Bernie entrou, comeu toda a ração, muito bonzinho, foi pra clínica. Estava quase sendo liberado, não tinha fraturas, quando a veterinária percebeu que não eram escoriações e sim, bichos. Pra resumir, para quem ainda não conhece a história, Bernardo tinha 33 bernes que o estavam devorando vivo. Bernes são transmitidos pela mosca varejeira, que pousa e põe seus ovos. Um berne por poro, vamos dizer assim. Eles se alimentam de tecidos e sangue, por isso dizemos que estavam comendo o pobre do gato. Foi anestesiado, os bernes retirados e ele ganhou um lar. Agora mora na casa onde antes só ia comer, tem quarto próprio, quintal à vontade - além da comida - carinho em abundância. E, além de tudo, já é castrado. Talvez tivesse dono um dia, mas estava bem judiado. Agora, vida nova.

 e os bernes


Sinatra - o bagudinho

Sinatra é o nome desse gatinho, porque ele ficou cantando o trajeto todo do local da captura até o veterinário e, no dia seguinte, do veterinário até minha casa. Um sarro. 
Antes era conhecido como "Bagudinho", mas agora não dá mais. É muito bonzinho e odeia a caixa de transporte. Tive que pegá-lo no colo em alguns momentos pra se acalmar.
Decidi castrá-lo , apesar de não estar nos planos, porque, aparentemente, é o macho da colônia de fêmeas. É importante castrar o macho também, para "fechar" a colônia. Ele agora vai defender o território dele e não vai deixar os não castrados entrarem e recomeçarem ciclo de reprodução.
Além do fato de que ficava comendo a isca da gatinha que queríamos, me atrasando o trabalho. Danado. Aliás  ele foi capturado no mesmo dia que a Alba e só levei também, porque eles já estavam namorando de novo. Ela nem tinha acabado de dar cria direito e já estava no cio outra vez, aceitando as cantadas do nosso Sinatra. Também, com os olhos azuis que ele tem. Não dá pra ver nesta foto, mas são lindos. Ele entrou primeiro e por ser bonzinho foi pra caixinha de transporte, armei a gatoeira de novo e pequei a Alba. Continua rondando por lá, ainda come com elas. Só perdeu seus baguinhos e agora vai dar sossego. Acabou a cantoria.

Vida
Esta deu trabalho. Entrava na gaiola pela metade, comia a isca, chegava perto. E nada. Acho que umas três semanas eu tentei, até que acabou indo pra dentro da casa da Dani e eles conseguiram pegá-la na gatoeira.  Por isso recebeu este nome, Vida: é linda, mas é difícil. Achávamos que também estivesse prenha, mas era piometra,  uma infecção de útero que mata o animal quando arrebenta. Mais ou menos isso. Foi devolvida hoje, dia 25.20.2012 e acredito que esteja bem. De todas elas, é a única que tem a cauda longa. A cereja do bolo. A última gatinha da colônia nr. 7.

Você deve ter reparado que elas são todas brancas e bem parecidas, tanto nas feições quanto no tamanho e estrutura. A Dani, como as mães de gêmeos idênticos, sabe perfeitamente quem é quem, mesmo vendo de longe. Eu me confundo, não sei quem tem rabo curto, médio ou longo. Só sei que agora acabou a festa. 
Daquele mato lá não vai mais sair coelho, nem gatinho.

Só quero deixar bem claro que essas gatinhas não são da Dani, antes que alguém pense que estou castrando gatos que têm donos. São feraizinhas que moram na mata atrás da casa dela. Dani ama animais, principalmente quando falam "miau" ou algo parecido com isso. Ela só os alimenta (e também os da vizinhança que têm dono) e, vendo que um casal de gatos se transforma em um milhão de gatinhos num instante, tomou uma providência.

Mirem-se no exemplo.

Um abraço,

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Acerto de contas II

Oi pessoas,

Depois de algum tempo, consegui fazer as fotos dos recibos. Desde a outra postagem com os acertos junto ao veterinário, recebi doações, vendi camisetas. E mais livros, é claro.

O tratamento do Bernardo, foi, totalmente, pago com doações, graças a Deus. Não precisei tirar do meu caixa. Bom saber que posso contar com pessoas que nem conheço ( caso de duas que doaram ).
Gostaria, mais uma vez, de agradecer que me ajudou e me ajuda, quem compra meus livros, quem compra as camisetas, faz doação, fala de mim, divulga, angaria fundos. Muito obrigada mesmo. 
Hoje olhei meu caixa e o dinheiro está acabando, então vou providenciar uma rifa, pois já tenho prêmios fofos. Em breve.

Abaixo as fotos dos recibos. Mais uma vez, não tem o nome da clínica por pedido da veterinária, mas, se alguém precisar, peço um original pra ela.

Abraços, Deus abençoe a todos.

Maria Cecília Quideroli





terça-feira, 9 de outubro de 2012

Brotando do asfalto

Quando comecei a capturar e castrar gatos de rua, tinha a intenção de diminuir o número de animais abandonados e sofrendo pelas ruas de Blumenau. Comecei com duas colônias de doze gatos no total, mas, aos poucos, outras foram surgindo, "do nada". Depois das duas iniciais, veio uma com quinze bichanos, uma com doze, uma com quatro e, agora, uma outra com quatro. Além disso, todas as pessoas que entram em contato para me avisar que conhecem pessoas que alimentam gatos de rua falam sobre grupos de quinze, vinte. Ninguém diz: " tem dois gatinhos" que eu alimento. Ontem mesmo veio mais uma, mas eu nem quis ouvir, porque ainda não cabem na minha agenda.

Numa das que estou castrando agora são quatro gatas. Sim quatro fêmeas, das quais três são brancas e uma é toda mesclada, parecendo o calçadão de Copacabana. Graças a Deus, a pessoa que as alimenta me chamou a tempo e conseguimos castrá-las, antes de quatro se tornarem trinta. Quer dizer, duas já castramos, uma ainda está por lá. E a quarta deu cria dentro de um armário da casa dela, quatro gatinhos brancos que ficaram por um tempo dentro da casa dela, pois estávamos tentando socibializá-los para permitir a adoção. Só que a mamãe deu fim nos gatinhos, ninguém sabe o que ela aprontou, se matou, se escondeu, se comeu. Vamos precisar esperar para ver se e onde aparecem. Não seria muito comum ela comer os pequenos, mas esconder é típico. Mesmo a moça dizendo que não tinha por onde ela sair, eu creio no poder ninja dos gatos de passar por qualquer buraco de agulha para se esconder. A mamãe será castrada em breve.

Como já comentei no Facebook, estou dando preferência às fêmeas, depois farei os machos e, por último, os filhotes. Quando tudo dá certo, consigo fazer três castrações por semana, mas não depende só de mim. Além da agenda do veterinário, dependo da boa vontade dos felinos em colaborar com meu projeto e entrar na gatoeira. Tem dia da caça e dia do caçador.

Saber que dos gatos programados, ainda tenho 36 pela frente, pouco tempo agora e, por enquanto dinheiro só para parte dessas castrações me deixa bem ansiosa. Semana passada uma pessoa me pediu ajuda, porque na casa dela tem "um monte de gato" (claro, como sempre) e especialmente uma gatinha que sempre dá cria. Essa pessoa que, graças a Deus, adora gatos - e vai pagar (Aleluia!!).quer castrar, pelo menos os que moram na casa dela. Só queria saber onde comprei a gatoeira e como usar. Fiz minha parte, levei um panfleto informativo. A moça das gatinhas brancas também vai arcar com as cirurgias.

Meu povo querido, se todo mundo que tem condições e gato na rua me ajudasse a pagar as castrações, eu poderia fazer muito mais. Ainda não cheguei ao ponto de ter que pedir doação, mas já sei que meu dinheiro do livro não vai dar para os 36. Porém, vendi mais livros nesta semana, vendi camisetas, ganhei doações :))))) - e isso tudo me anima e deixa confiante de que vou conseguir continuar. E, pensando mais além, se todo mundo que vê gatos sem dono nas ruas arrumasse uma gatoeira ( não custa muito ) e fizesse uma parceria com um veterinário de confiança, os números diminuiriam mais rapidamente também. Todo mundo pode fazer, basta querer. Eu ajudo quem precisar, com informações.

Abaixo vai um texto sobre a reprodução dos felinos. Tirei do blog http://www.petshopnet.com.br


   
Os machos adultos geralmente estão ativos sexualmente e interessados em ter relações em qualquer época do ano, apesar de alguns cientistas acreditarem que eles produzam mais esperma durante a primavera e o verão. Esta informação confirma a necessidade de se castrarem os gatos machos também.
No entanto, as fêmeas adultas só estão sexualmente ativas durante uma específica estação de reprodução a cada ano. O tempo preciso desta estação para uma fêmea específica depende da duração da luz do dia: no Reino Unido, por exemplo, a estação de reprodução da maioria dos gatos dura de janeiro até setembro, mas algumas fêmeas submetidas a iluminação artificial, foram capazes de se reproduzir durante o ano inteiro.

O Cio das Fêmeas
Durante a estação de reprodução, uma fêmea madura tem períodos de intensa atividade sexual, chamados de "cio", durante os quais ela procurará um parceiro para copular.

Quando uma fêmea entra no cio, ela inicia um comportamento padrão conhecido como "chamado". A princípio, ela pode se tornar mais afetiva com seus donos do que de costume. Ela rolará pelo chão e ficará mais "eloqüente".
No auge do cio, ela adotará uma postura característica quando estiver em frente a seu dono ou outro gato. Ela deitará com as patas da frente esticadas junto ao chão, e a cabeça entre as patas. Levantará os quadris e ficará na ponta das patas traseiras. A cauda ficará dobrada para um dos lados para que as partes genitais fiquem expostas.
A fêmea continuará a vocalizar e a adotar este padrão de comportamento por 5 até 10 dias na esperança de atrair um ou mais machos para se acasalarem com ela. Seu convite é sonoramente e visualmente óbvio e nenhum gato macho normal poderá ignorá-lo.



Quando o macho encontra a fêmea, ou são apresentados em fase de cio, ele poderá fazer alguns chamados sonoros antes de copular com ela. O ato sexual em si, é muito curto. O macho avança sobre a fêmea e imobiliza-a mordendo seu cangote enquanto usa as patas dianteiras para prender seus movimentos dianteiros. A fêmea reage encostando o corpo ao chão e levantando as ancas. Alternando as patas de trás e balançando todo o corpo, o macho arqueia suas costas e penetra a fêmea. Poucos movimentos enérgicos da pélvis precedem a ejaculação de seu esperma.
Após ejacular, o macho solta a fêmea e desaparece rapidamente, enquanto a fêmea mia e tenta atacá-lo. Ela tem boas razões para isto, afinal no pênis do macho existem "farpas" voltadas para trás que estimulam a vulva da fêmea durante o intercurso e retirada, ajudando a induzir a ovulação. Por esta razão, o acasalamento – e particularmente a remoção do pênis do macho – devem ser dolorosos para ela.


Assim que o macho se retira, a fêmea rola pelo chão freneticamente. Os estudiosos acreditam que isto pode ser para encorajar o esperma a fluir da vagina para o útero.
Durante este tempo, tanto o macho quanto a fêmea lamberão suas partes íntimas preparando-se para outra cópula: de fato, podem haver diversas relações entre eles durante a próxima hora ou mais. Se houver oportunidade, uma fêmea pode ter diversas cópulas com vários machos durante os próximos 4 ou 5 dias do mesmo cio.



A ovulação ocorre entre 23 e 30 horas após o coito e em média, fêmeas sem pedigree ovularão 4 óvulos. Claro que não há garantia de que todos os óvulos fertilizados se desenvolverão em filhotes, e mais de 4 óvulos poderão ser ovulados. A maioria dos gatos sem pedigree têm de 3 a 7 filhotes.Raças orientais tendem a apresentar ninhadas em maior quantidade – às vezes mais de 10 filhotes – enquanto gatos de pêlo longo com pedigree geralmente têm ninhadas pequenas de 2 a 3 filhotes. É incomum para uma fêmea de qualquer tipo ter uma ninhada de apenas um filhote.



Quando o óvulo é fertilizado por um espermatozóide, uma reação ocorre para prevenir que este seja penetrado por outro espermatozóide. No entanto, em teoria, uma fêmea que produz uma ninhada de filhotes tendo copulado com diversos machos diferentes pode ter cada um de seus óvulos fertilizado por espermatozóides de pais diferentes, o que explica explica por que são tantos gatinhos e por que podem nascer gatinhos tão diferentes em uma mesma ninhada vira-lata. Eu, particularmente, adoro gato vira-lata, pois acho as "estampas" deles muito originais.  A Copacabana é um exemplo disso e a Lili, irmã da minha Léa, também. 




Só para mostrar mais claramente o que significa não castrar uma gata / um gato:

Projeção para reprodução de felinos - considerando três gestações de quatro filhotes ( lembre-se que podem ser até oito filhotes )

1o ano 12 gatinhos
2o ano 66 gatinhos
3o ano 382 gatinhos
4o ano 2.201 gatinhos
5o ano 12.680 gatinhos
6o ano 73.041 gatinhos
7o ano 420.715 gatinhos
Total 509.097 gatinhos
Com base nesses dados concluímos que:

Esterilizando 1 fêmea, em 7 anos não nascerão 509.097 gatos
Esterilizando 10 fêmeas, em 7 anos não nascerão 5.090.970 gatos
Esterilizando 100 fêmeas, em 7 anos não nascerão 50.909.700 gatos
Esterilizando 1000 fêmeas, em 7 anos não nascerão 509.097.000 gatos.

A Operação Gato de Rua já castrou 15 fêmeas. Em um ano, são menos 180 gatos, em sete anos, são 7.636.455 gatos abandonados a menos nas ruas, se meus dotes matemáticos de regra de três não estiverem equivocados. Aceito correções, caso necessário


Então é isso: castre seu gato, sua gata. Tele suas janelas, mantenha seu animal CASTRADO dentro da sua casa e evite que felinos continuem brotando do asfalto em sua cidade.



Um abraço,



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O estranho "serumano" - Parte I

Hoje quero escrever um pouco sobre os seres humanos. Aqueles que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Um Deus que fez questão de se tornar um de nós para nos mostrar o quanto nos ama.

Teoricamente deveríamos ser aqueles que prezam pela manutenção das outras espécies, mas, na prática, somos os maiores predadores da natureza. Claro que existem os que fazem a diferença e aquela garota que faz um blog contando o que não está bom na escola dela e consegue mudanças significativas se enquadra nesses aí. Muitos outros fazem, fizeram e farão diferença. Entende que fazer um pouco é melhor do que não fazer nada.

Quero, porém, falar de maneira especial daquele "serumano" que gosta de criticar quem faz, mas não tira o próprio traseiro da cadeira. Fica achando que alguém tem que fazer alguma coisa, desde que ele não precise mexer um dedo nem perder a novela. E critica. E ofende em rede social, esbraveja aos quatro ventos. Mas não faz nada. 

Quem faz qualquer tipo de trabalho voluntário conhece alguns desses. Quem abraçou a causa dos animais conhece alguns específicos, como aqueles que acham que não dá pra cuidar de cachorro atropelado, porque tem tanta criança precisando de ajuda. Essas pessoas, geralmente, não ajudam as crianças abandonadas também. Aliás, não ajudam ninguém. 

Gostaria muito que as pessoas entendessem de uma vez por todas que:

- tem muita criança carente precisando de ajuda sim. Mas tem muita gente que as ajuda, ONGs específicas, formadas por pessoas que simpatizam com a causa. Como também tem os defensores da Floresta Amazônica, do fim da homofobia, dos idosos maltratados, dos ouriços caixeiros. A questão é cada um deve se dedicar a uma causa com a qual se identifica. E o fato de alguns muitos preferirem resgatar animais e  procurar seu bem estar não faz com que a situação dos outros que não têm voz mude. Nem para pior, nem para melhor. 

- voluntário faz porque quer, não porque precisa. Essa história de "você é da ONG então precisa ir lá socorrer o cão que foi atropelado e está há horas agonizando na estrada" não existe. Pelo menos não deveria existir. Voluntário geralmente não é milionário (eu não sou e não conheço nenhum que seja), precisa trabalhar e ganhar o pão de cada dia. Geralmente trabalha em horário comercial, como você, e não pode sair do expediente para socorrer o pobre cão. Voluntário também vai precisar se deslocar, pagar pelo atendimento do cão do próprio bolso, se responsabilizar pela vida que socorreu. Igual a qualquer pessoa que se disponha a fazer isso. Passar por um animal atropelado, enviar um recado via facebook ou e-mail para uma ONG dizendo " passei lá, o cão está bem mal, mas eu não parei porque minha vó tem caspa no joelho", é simplesmente covardia. Crueldade.Omissão. Entendo que as pessoas não socorrem animais porque veterinário custa caro. Mas a ONG daqui de Blumenau, por exemplo, tem parceiros que dão desconto quando o animal não tem dono.  É só conversar com o profissional. Se ele amar os animais, vai entender. Então essa desculpa já cai por terra. 

- o problema dos animais sem dono é de todos, não somente de quem resolveu dedicar um pouco de seu tempo livre para esta causa. Enquanto não tivermos governos que realmente se importem com a questão animal, o problema é de todos nós. Claro que é mais fácil jogar a batata quente para o outro, mas, se cada um fizesse um pouco, não ficaria pesado para ninguém. E, provavelmente, mais animais seriam beneficiados. E se eu posso oferecer um pouco de água e ração para um cachorro ou gato faminto, todo mundo pode. Tenho uma sugestão para quem não faz nada gosta de criticar quem faz: receba os e-mails de uma ONG durante uma semana, sinta na pele o sufoco que é e depois me diga se você poderia fazer diferente. E se acha que poderia, vá lá e faça.

Agora vou contar uma coisa que vai surpreender MUITAS pessoas, é pior do que saber que é sua mãe que compra seu presente de Natal.
ONG não tem grana, meu povo. É uma correria ficar procurando parceria, rifa, venda de produtos ( para os quais foi necessário gastar dinheiro ), uma luta diária para tentar dar conta de todas as despesas com clínicas no fim do mês. E, muitas vezes, fechar no vermelho. Castrações que deixam de acontecer por falta de caixa e eutanásias que precisam acontecer por falta de grana. Imagine que se cada cidadão se comprometesse a pagar uma castração por mês, ou a cada dois meses, como desafogariam as ONGs e sobraria mais verba para cuidar dos atropelados e maltratados, que são muitos. 

E isso, falando das ONGs que resgatam para doar, ou pelo menos procurar um novo lar para animais abandonados e maltratados. Quando eu falo que não resgato meus bichanos, que só os castro e devolvo ao local, vejo, muitas vezes, caras que me lembram a sala dos espelhos do parque de diversões. Já entrou em uma? É queixo que cai até o chão, olho que se arregala até o teto. E comentários que não deveriam ser feitos como: " que absurdo você castrar os gatos; eu me solidarizo com eles, me coloco no lugar deles - que dor!"  Até acho que seria bom se alguém se dispusesse a sair por aí com uma "machoeira", fazendo armadilha para pegar safado e cortar fora o que ele acha que tem de mais precioso. Mas, até onde sei, isso não é um risco iminente para seres masculinos da espécie humana, então, caros, não precisam se preocupar. E pensem que, castrando um gato macho, MILHÕES de gatinhos NÃO nascerão, NÃO passarão fome nem frio nem necessidades. Aproveitem e me ajudem a pagar umas castrações. Senão eu corto o seu também!

Também já ouvi: " mas por que você castra um gato de rua se não vai ficar com ele?" - Essa é simples e fácil de responder. Porque já estou cansada de ver tanto gato judiado perambulando pela cidade, sem ter onde dormir direito quando chove, sem refeição garantida, sem carinho. Castrar e devolver é a maneira mais eficaz de combater o abandono animal. Bom seria se eu conseguisse lar para aqueles que são mais mansinhos, mas não tem, então nem tento. Mesmo porquê há uma teoria de uma conhecedora do assunto residente em São Luiz, gatos brotam do asfalto.

E, acho que a pior é: "tenho um ( ou dois, três, quatro ) gatos que peguei da rua, cuido deles e amo como se fossem meus filhos. Você não quer castrar meus gatos?" Não, não quero.Vaza e me deixa em paz.

A solução para o problema do abandono de animais não é muito difícil, só precisa de um pouco de boa vontade em mudar o padrão de comportamento. Mudar a consciência é uma coisa mais complicada, requer tempo.  O serumano é bem complicadinhos, cabecinha dura. Veja se não tenho razão quando digo que não precisa de muito.

 No que diz respeito aos cães: 
- fechar o portão de casa, não deixando o animal passear sozinho pelas ruas: evita roubos, brigas, atropelamento, envenenamentos. Isso é muito típico aqui em Blumenau, mas em Araçatuba o pessoal usava mais a guia.
- castrar o animal, macho ou fêmea, porque já tem filhote suficiente por aí procurando lar; não precisamos dos filhotes dos seus cachorros. Evita também que o macho fuja de casa para procurar fêmea no cio pela vizinhança. 

Quanto aos gatos:
- castrar o próprio bichano e aproveitar para ter o silêncio de um gato tranquilo que não vai à loucura na época do cio.
- TELAR SUA JANELA - não, o gato não morre se ficar o tempo todo dentro de casa, protegido. Ele morre se for atropelado na rua, ou se algum idiota der chumbinho para ele comer ou, no caso de gatos bonzinhos e bonitos, se for roubado. Meus gatos não têm acesso à rua. Têm cinco anos, praticamente nunca saíram, são felizes e, se Deus quiser, daqui a uns quinze anos ainda vou falar deles com o verbo no presente.

Ainda gosto de (alguns) seres humanos. Mas às vezes eu sonho que Deus está me mandando fazer uma Arca para levar só os bichinhos para o reino da Ronrolândia.

Brincadeirinha, afinal, eu também sou humana. E me acho bem simpática na maioria das vezes :)

Abraços






terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ficando conhecida

Quero compartilhar boas notícias com vocês. Pelo menos eu acho boas.

Semana passada estivemos em um programa local de televisão para falar um pouco sobre a Operação Gato de Rua. Levei a gatoeira e pude explicar um pouco como funciona o processo. Foi uma oportunidade que o pessoal da APRABLU (Associação Protetora dos Animais de Blumenau) conseguiu para nós e tenho muito a agradecer-lhes por isso. Divulguei meu telefone particular na rede aberta e, como esperado, pessoas ligaram. Claro que não ligou ninguém oferecendo ajuda financeira para meu projeto, mas me ligaram algumas pessoas me trazendo problemas como: cachorros abandonados na casa dela e uma, me pedindo para castrar os gatos dela - particulares - porque um dia eles também foram de rua. Outra ainda mandou uma mensagem não assinada: "preciso falar com você URGENTE! - me liga ". Tá bom, é só dizer não - foi o que fiz - e seguir em frente.

Mas ontem me ligou uma pessoa da vigilância sanitária, pedindo a gatoeira emprestada para capturar 15 gatos ( parece que é o número padrão das colônias de Blumenau ) em um bairro, atrás de uma escola. Como não posso emprestar porque eu a uso umas três vezes por semana e cada vez ela fica um dia e meio no veterinário, sugeri que adquirissem uma e indiquei a loja onde podem comprar. Dei a dica de forrar com papelão para não machucar os animais e quase fiz o homem jurar de joelhos que vai CASTRAR os gatos antes de enviar para a fazenda onde estão acomodando os bichanos. Segundo ele, isso não seria um problema pois um dos ex-diretores é veterinário e faria isso por eles. Enviei por e-mail o endereço do blog e o post sobre a marcação das orelhas, extremamente importante. Ofereci minha ajuda para montar a armadilha, se fosse o caso e garanti que ela funciona mesmo. Fiquei feliz, pois eles mesmos vão fazer isso e o trabalho vai se propagando.

Aí abri o meu e-mail da Operação: gatoderuablumenau@gmail.com e vi uma mensagem de uma veterinária de uma cidade vizinha que acompanha o trabalho dos Felinos Urbanos e fiquei muito feliz por isso. Pois ela também já faz isso, devagar, em alguns animais. E fiquei feliz de novo. 

Logo que comecei, uma amiga de Facebook e leitora do meu livro me contou que tem uma colônia na rua da mãe dela, em outra cidade. Ela, mais do que rapidamente, comprou uma gatoeira, forrou e já está lá, castrando os animais da rua. Sem alarde. E isso também me deixa feliz.

Mandei fazer panfletos para apresentar o trabalho às pessoas e vou distribuir quando ficar pronto. 

Domingo, dia 02.09, vamos desfilar no aniversário da cidade, com a camiseta da Operação - o Fábio e eu.

Por que são boas notícias? 

Porque quero muito que a ideia se propague, Quero ajudar e vou fazê-lo enquanto for possível, mas sei que provavelmente não vou resolver o problema de todos os gatos de Blumenau.

Fazer C.E.D. é muito fácil, só requer um pouco de boa vontade, uma gatoeira e um tempo para todo o processo. E cada animal castrado faz uma diferença enorme na questão da saúde pública e bem estar do próprio animal. Claro que precisa ter dinheiro para isso também. Se cada pessoa castrasse um animal de rua - cão ou gato - por mês ( e tem de monte, para todos que quiserem ), não seria pesado financeiramente para ninguém e seria, simplesmente, gigantesco para a sociedade. Infelizmente moramos num país (ou pelo menos numa cidade) onde o poder público não acha importante cuidar dos animais abandonados. E a grande maioria das pessoas acha que isso não é um problema delas. Ainda ajudam a piorar o quadro deixando gatos vagarem livremente pelas ruas, sem telar suas janelas. E aqueles que querem fazer alguma coisa diferente pela cidade, pelos animais, precisa se transformar em vários para fazer, pelo menos um pouco. Que é melhor do que nada.

Mas vale a pena. Como já comentei, estou viciada no C.E.D e fico muito feliz quando devolvo um animal castradinho para a colônia dele. 

Espero conseguir ainda muitas capturas e castrações, pois estou apenas começando. 

Muito obrigada por me acompanharem e divulgarem meu trabalho.

Para quem quiser ver o quadro do programa do qual participamos, o link está abaixo.


Grande abraço, fiquem com Deus.

Maria Cecília

Primeira prestação de contas


Bom, pessoal.

Apesar de ainda esta pagando as castrações da Operação Gato de Rua com dinheiro próprio, achei importante colocar aqui minha prestação de contas. Já paguei doze das treze castrações que fiz e quero postar aqui os recibos. Minha veterinária pediu para não divulgar o nome da clínica, pois não quer ter multidões de pessoas batendo à porta e pedindo precinho especial. Eles precisam sobreviver. Mas tenho os recibos originais, com a logo dela, caso alguém queira ver em particular. 

Léa/Lia/Gato 1 - pagos com a rifa da escola e Gato 2 (livro)



Gato 3/ Gato 4 / Gato 5 / Gato 6


Gato 7/ Gato 8 / Gato 9 / Gato 10


Já castrei o gato #11, #12 e #13, mas costumo pagar a cada quatro, então ainda tem mais um antes do próximo recibo. Tinha uma captura marcada para hoje, mas precisei cancelar pois o anestesista não está mais disponível. A próxima ficou para quinta, depois domingo (2 gatos) e terça mais um.


Além das castrações, compro ração para alguns gatos de rua que alimento, para a Léa, uma resgatadinha arisca que ainda está por aqui e para uma senhora que alimenta os gatos da colônia que estou castrando agora. 

Se alguém tiver alguma dúvida, é só entrar em contato. Muito obrigada a todos pela atenção.

Grande abraço.

Maria Cecília


domingo, 19 de agosto de 2012

A importância da castração precoce

Hoje quero escrever um pouco sobre o por quê de se castrar os animais - filhotes ou adultos; para adoção ou não. Algumas partes do texto retirei dos Felinos Urbanos (onde estão as aspas), o restante foi baseado no texto da Otávia, mas fiz minhas adaptações.

Um grande abraço a todos, obrigada por lerem e compartilharem o blog. 

Maria Cecília Quideroli


Por que podemos e devemos castrar filhotes, principalmente aqueles que irão seguir para adoção?
Porque eles serão os números do abandono de amanhã. 

A partir dos 4 meses de idade uma fêmea já pode entrar no cio precocemente. Durante o cio elas gritam sem parar, não dormem e não comem adequadamente. E também não deixam dormir quem mora por perto. 

A gestação felina dura 60 dias e resulta numa média de seis filhotes. 30 dias após o parto, a mamãe já entra no cio novamente e o ciclo recomeça. Até seu primeiro ano de idade, ela poderá ter até 30 filhotes. Todo mundo já sabe - ou deveria saber - que não há lar disponível para todos e, sem a castração, esse número será multiplicado muito rapidamente. Imagine que num parto uma mamãe gatinha tenha seis filhotes, dos quais quatro sejam filhinhas gatinhas: em um ano, as filhinhas seguem o caminho da mamãe e os 30 filhotes possíveis se transformam, rapidamente, em 120 fofuras abandonadinhas, passando fome, frio, sofrendo maus-tratos e correndo riscos pelas ruas. Isso sem contar os filhotes que os filhinhos gatinhos farão em outras gatinhas que aparecerão em suas vidas. 

Além disso, gatas não castradas podem contrair doenças incuráveis e sérias, como Peritonite Infecciosa Felina, AIDS felina e Leucemia felina, que também são transmitidas a seus filhotes. De acordo com a Sociedade Americana de Veterinária, 80% das fêmeas não castradas irão apresentar um episódio de tumores de mama, útero ou ovários e piometra (infecção no útero) até o final de suas vidas. 

Se essa gata não castrada viver na rua e apresentar uma das enfermidades, imagine o sofrimento, as dores que vai passar, pois não terá quem a socorra. Além disso, os filhotes da gata de rua, que são filhotes de rua, terão as chances de vida longa drasticamente reduzidas por estarem ali sem um lar para chamar de seu. Tentar capturar para doação não é a solução, pois tanto os adultos quanto os filhotes que vivem em colônias, não gostam de humanos e fugirão da casa na primeira oportunidade. Ou viverão estressados e entocados num local que não reconhecem como lar. Claro que há filhotes mansos e esses podem, eventualmente ser capturados para doação. Porém, doar um filhote não-castrado é fazer uma roleta russa com a vida daquele animal. 

Pouquíssimos são os donos que se preocupam em fazer a castração na idade certa. A maioria acaba deixando por isso mesmo e o animal segue sem a esterilização. E isso é claramente provado pelo número de animais doados e que tiveram filhotes ou fugiram sob responsabilidade do adotante, antes da "idade ideal" para serem esterilizados. Mesmo os protetores responsáveis podem se ver vítimas de um cio precoce e ao invés de castrar uma gatinha de 5 meses de idade, irão se preparar para receber a ninhada dela. E começa tudo de novo, num ciclo sem fim.

Infelizmente o doador/protetor não tem como obrigar o adotante a realizar a castração do animal adotado, caso ele se recuse a fazê-lo. Protetores que ouçam que o adotante quer "tirar uma cria" do animal, não devem efetuar a doação, e, se possível, esclarecer ao adotante os reais motivos para se preocupar com isso. A situação piora quando é um animal "de raça" que certamente será utilizado na criação de fundo de quintal. 

"De acordo com a SPCA Americana, 60-80% dos adotantes NÃO CUMPRE o combinado de esterilizar o animal doado. Nas SPCAs e Humane Societies de todo o mundo, TODO e QUALQUER animal é castrado antes da doação, justamente querendo evitar que todo o processo de resgate e cuidados seja em vão, quando este cão ou gato irá perpetuar o abandono.

Um dos principais argumentos para não-castração de filhotes são problemas urinários relacionados à castração precoce, mas vários veterinários já lançaram artigos sobre o não-relacionamento destas doenças ( incontinencia, cálculos na uretra, etc ) somente à castração. Um gato alimentado com ração de má qualidade, não-castrado, também pode ser vítima da sindrome urológica felina, assim como gatos com mais de 7 anos de idade alimentados exclusivamente com ração seca."

Por isso existe a castração pediátrica. Trata-se de uma técnica utilizada há mais de 25 anos por veterinários de países desenvolvidos. Cães e gatos podem e DEVEM ser castrados aos 2 meses de idade. Inclusive, filhotes se recuperam melhor e mais rapidamente dos efeitos da cirurgia.

A castração pediátrica é uma importante ferramente contra o abandono. Filhotes doados já castrados não se perpetuarão e não causarão mais abandonos nas ruas.

Castração dos animais - inclusive os de estimação que têm tutores - é um ato de responsabilidade e amor. A castração pediátrica é a maneira mais segura contra o abandono.

"Abaixo, as palavras da Dra. Patrícia Arrais Rodrigues da Silva (http://www.gatoverde.com.br/02_00.asp?menu_cod=18&menu_cod_pai=0 ) sobre a castração precoce:"

"Relativamente muito pouco se sabe com relação aos efeitos dos hormônios sexuais sobre o sistema urinário em cães e gatos.

Porém, sabe-se que os problemas antigamente atribuídos à castração, como aumento da predisposição à obstrução uretral em gatos, ou a incontinência urinária em cadelas, ainda merecem maiores esclarecimentos.

A incidência de obstrução uretral em gatos é a mesma em gatos castrados ou não, embora os mecanismos dessa patologia ainda não tenham sido esclarecidos.

Com relação à incontinência urinária em cadelas, ela pode ocorrer de semanas a anos após a cirurgia de castração, assim como em cadelas inteiras. Vários problemas anatômicos e fisiológicos estão associados ao problema, e não se tem ainda uma causa definida. Se há influência hormonal, não há evidências que sugiram que a castração precoce irá potencializar o problema. "

Se observamos o trabalho de grandes ONGs brasileiras que se ocupam dos felinos, todas elas somente efetuam doação de animais castrados ( Adote um Gatinho, ResGatinhos, entre outras ). Se a castração pediátrica fosse maléfica para os animais, essas pessoas não financiariam a técnica, concorda? Em se tratando de pessoas idôneas que se dedicam aos animais, podemos tomá-las como exemplo de responsabilidade para com os mesmos e a sociedade em geral. 

"Canis e gatis responsáveis também somente viabilizam seus filhotes castrados, para proteger a procedencia da linhagem e evitar que caiam nas mãos de aproveitadores. Estamos falando aqui de animais em faixa dos 2 a 5 mil reais. Por que colocar em risco animais tão valiosos?"

"Abaixo, palavras do Dr.Dr. Edgard Morales Brito, falando da castração precoce e seus benefícios para uma raça e para animais de companhia em geral":

-Em 70% dos casos em que um cão de raça pura do sexo fêminino é vendida para uma pessoa que tenha outras raças para convívio, ocorrem acasalamentos indesejáveis, gerando assim mestiços.
- Evitar que proprietários inexperientes ou sem orientação técnica, façam acasalamentos ao acaso, sem considerar o que é melhor para o desenvolvimento da raça, gerando filhotes no mercado, que fatalmente são comercializados por preços abaixo do justo para a raça, alterando assim o mercado para esta determinada raça, desvalorizando o produto.

- Antes do primeiro cio, onde ainda não há a maturação dos orgãos sexuais femininos, a disfunção hormonal pós castração é praticamente inexistente, evitando assim os efeitos colaterais da castração como obesidade, letargia, etc.
- Evita a Piometra que é uma patologia ligada à uma disfunção hormonal, podendo ocorrer antes mesmo do primeiro cio.
- Evita a Pseudo-ciese (gestação psicológica), que com o passar dos anos acaba sendo um grande indutor de tumor de mamas
- Evita o desconforto na casa dos proprietários que tem machos e fêmeas no mesmo ambiente, que na época de cio ocorre inapetência, choro e mudança comportamental nos animais, incluindo agressividade entre eles.
- Aumenta a longevidade (os cães vivem mais tempo) no caso dos animais castrados."

Um(a) gato(a) castrado(a) e sem acesso às ruas pode viver até os 20 anos com qualidade de vida. Se você tem um animal não castrado em casa, está na hora de marcar a castração com seu veterinário de confiança. Faça sua parte, pois o abandono de animais é problema de todos nós. Não é necessário muito para se capturar, esterilizar e devolver um animal ao seu local de rua. 

Tenho certeza de que você não quer ser responsável por uma cena semelhante a esta. Castre seu animal de estimação. Capture, castre e devolva ao local, um animal de rua.

"Para finalizar, deixo as palavras do Dr. Dick Rosebrock, que faz parte do PROGRAMA DE ESTERILIZAÇÃO PRECOCE dos E.U.A, que desde 1984 realiza castração precoce de animais em abrigos e de particulares.

"As pesquisas disponíveis sobre os efeitos físicos e comportamentais de curto e de longo prazo da castração pré-pubescente em cães e gatos demonstram a ausência de qualquer resultado adverso. Com base nestas informações, a American Humane Association (Associação Humanitária Americana) apóia esta prática como uma solução viável para a diminuição da superpopulação de animais de estimação e da tragédia decorrente da morte de muitos deles. A prática da esterilização precoce também é endossada pela American Veterinary Medical Association (Associação Veterinária Americana), pela American Animal Hospital Association (Associação de Clínicas Veterinárias Americana) e pela California Veterinary Medical Association (Associação Veterinária da Califórnia).

Pessoalmente, eu endosso este programa entusiasticamente. Tenho participado ativamente do Programa de Castração Precoce e o realizei em aproximadamente mil animais. Não constatamos nenhum resultado negativo. Muito pelo contrário: os seus donos geralmente consideram estes animais como os melhores que já tiveram!"

sábado, 11 de agosto de 2012

Meu patrocinador

Uns anos atrás, durante uma fase em que li bastante, resolvi  também escrever um livro. Após um tempo em que fiquei pensando sobre o que escreveria, decidi contar a história do meu gato Romeu, figura, que, tenho certeza, faz tudo de caso pensado. Enquanto escrevia, achei que deveria e poderia aproveitar para informar pessoas sobre cuidados animais, leis, etc. E quando ficou pronto, resolvi que ajudaria animais abandonados com parte da renda obtida com a venda. Nada mais justo que reverter à causa animal um material sobre um animal. 

Depois de lançado, fiz várias parcerias com ONGs de todo o Brasil e, assim, pude vender toda a primeira edição. Porém, percebi que não dá pra ajudar a todos os animais abandonados, há muitos por aí e o dinheiro que eu destinava, 20% do total, era pouco. Foi assim que resolvi focar nos gatos de rua.

Com a venda da primeira edição paguei a segunda e estou ainda castrando os gatos que comecei. Já está acabando o que tem na poupança, mas ainda dá para fazer mais uns poucos. Depois vou ver o que fazer, muitas pessoas se ofereceram para me ajudar, me deram ideias que serão colocadas em prática quando chegar a hora. Em breve vou começar a prestar contas, ainda estou batendo as fotos, organizando os recibos, mas logo vem.

Estou feliz em poder fazer uma coisa legal, com a qual me identifico com meu livro, que foi um sonho realizado. Ainda quero conseguir uma junção das duas coisas de maneira mais efetiva, como chegar às escolas e fazer a divulgação do livro em salas de aula, divulgar também o Operação Gato de Rua e incentivar a escrita e leitura em jovens e adolescentes.  E, claro, vender o livro para castrar os gatos. 

Cá entre nós, meu gato Romeu é uma graça, irresistível e todo mundo (ou quase) que lê o livro, gosta dele. Algumas pessoas de Blumenau quiseram vir aqui conhecê-lo pessoalmente, porque o cara é realmente uma delícia. Com isso, o livro ficou leve, engraçado e informativo. Mesmo sendo eu que o diga.

meu astro maloqueiro

amigos leitores


Tenho já parcerias em Campinas, São Luiz do Maranhão, Blumenau, Indaial, Balneário Camboriú, Florianópolis, Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo e estou conversando com Joinville. Obrigada aos parceiros e leitores. Adoro quando alguém de longe faz uma encomenda. Por aqui, visitamos escolas e ONGs, às vezes ele vai junto e é a alegria da juventude. Adoro esse tipo de divulgação também, me realizo.

apresentação para crianças 

O preço do livro, já com frete para todo o Brasil é R$ 29,70 - pedidos pelo email: mcquideroli@gmail.com e pagamento através de depósito bancário. Ainda preciso vender bastante e isso não é um trabalho fácil, uma vez que, além disso preciso dar conta da minha casa, dos meus próprios animais, dos que pego para dar lar temporário, fazer o blog, capturar gatos, e trabalhar, porque Mega Sena na minha vida, nem da Caixa Econômica Federal, nem de pelo escuro e olhos verdes. 



Por isso, quem ainda não leu, pode encomendar um. Quem já leu e gostou, pode comprar outros para dar de presente e me ajudar com meu projeto. Eu comemoro cada venda individual, porque sei que é de cada um que se faz o todo.

Assim também com as capturas. Esta semana li que em algum lugar no mundo, acho que era Austrália, o projeto de C.E.D. estava comemorando as 25.000 capturas e castrações. Eu não consigo nem colocar o gato danado número 10 dentro da minha gaiola, então estou meio chateada. Faz tempo que não capturo ninguém por diversos motivos: chuva, falta de tempo do veterinário, falta de tempo minha. Estou com saudades do barulhinho de metal caindo. Amanhã volto lá para tentar os gatos da colônia da frente, de onde veio a gata siamesa que capturei por último. Lá ainda faltam dois, além do Mega Sena. 

Já prometi ajuda a uma moça que tem 15, outra que tem 20 e uma que tem 4. Mas não quero continuar antes de fechar o que comecei. Com isso fico ansiosa, mesmo sabendo que é assim mesmo, um de cada vez.

Quando eu era criança e visitávamos meu avô que morava em outra cidade, ele sempre chegava à janela do carro quando já tínhamos embarcado no carro e dizia: "devagar e sempre". 

Hora de pôr em prática as sábias palavras do Vô Zé.

:))

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Minhas feras II - IMOBILIÁRIA

Aqui vão os gatos da imobiliária. Ainda falta um de lá, mas ele está muito esperto, já. Eu acreditava que essa fosse a última colônia, mas depois fiquei sabendo que na lanchonete da frente também tem gatos - aproximadamente cinco - o que elevou meu número de dez para quinze (aparentemente) animais a serem capturados, esterilizados e devolvidos.  O primeiro dia lá foi meio tumultuado, conhecemos um outro casal que dá comida para eles e acho que por causa das conversas e do movimento, ninguém caiu na armadilha. Mas durante a semana voltei e consegui.

Gato #5
Filhotinho rajado. O pessoal que dá comida, chama esse carinha de Bocão, porque ele é gulosinho :) Este gatinho tem uma história conhecida de muitos outros animais. Segundo a dona da imobiliária, foi abandonado lá por uma moça, que o colocou, bem novinho ainda no gramado, provavelmente por achar que seria tratado ali com os outros. A dona da imobiliária disse que ficou brava por só ter percebido que tinha habitante novo na colônia algum tempo depois, quando ele já estava arisco. Ela o teria levado para casa e ficado com ele, segundo me disse. Porém, a moça que os alimenta disse que ele é filhote da gatinha cinza e branca. Sei lá, só sei que está castrado agora. Bom, é um machinho de seis meses, cinza rajadinho, que chorou muito na captura, coitado. Ficou bem assustadinho e agora chega perto da gatoeira, cheira e sai correndo. 

Gato #6
Frajola peludinha. Esta gatinha é até que bem mansinha. Estava na minha mira, achei que estivesse prenhe, mas não estava. No dia em que a peguei, precisei me esconder atrás de um carro, porque ficava me olhando da vala que tem perto dos potes de comida. Enquanto fiquei à vista ela não foi comer, mas quando fui para detrás de um carro, não se passaram nem dois minutos e ouvi o maravilhoso barulho da portinha fechando. Ela se comportou bem no veterinário, não avançou, foi bem fofa. Quando a soltei, depois de um tempinho já estava andando em cima do telhado lá. Ela ficou sumida durante um tempo e eu me preocupei. Mas mudei o horário de aparecer por lá e já a tenho visto diariamente. Continua fofa.


Gato #7
Cinza mansinha. Uma outra moça que dá comida para eles a chama de Lourival, porque acha que fosse um gato. Não sei como, porque ela tem uma super carinha de menina.  Esta é fofa também. Ficava se esfregando na grade na hora da comida, mas depois que foi capturada e devolvida, ficou mais arisca, não chega tão perto. Tem aproximadamente três anos. Demorei para consegui-la, mais do que esperava. Também achei que estivesse prenhe, mas não estava. A primeira pessoa que conheci, que também alimenta os gatinhos me disse que ela tem uma cria atrás da outra. Os veterinários disseram que parecia que ela tinha tido bebês há pouco tempo, devido ao tamanho aumentado do útero. Não tinha leite nas tetinhas. Mesmo que tenha sido castrada amamentando não tem problema, pois, como as gatas se afastam dos filhotes após a segunda semana, o hormônio da lactação já está fixado no organismo. De qualquer forma, se os filhotes estiverem por perto e estimularem, o leite sai. Como não há filhotes por lá, não sei se isso procede. Vou ficar de olho. Mas o mais importante é que agora, ela TINHA uma cria atrás da outra :))

Gato #8
Filhote frajola macho - Esse cara é lindo, super arisquinho, mas muito fofo. Esta semana soube que a gatinha mamãe, aquela tricolor difícil, mães das minhas filhotas, teve, não duas, mas CINCO filhotes. Dois machos foram capturados e doados, duas meninas eu peguei e este sobrou lá. Não sei por quê, mas deve haver algum motivo, não é tão fácil pegar esse povo. Então ele é irmão da minha Léa, bichinho do mato que está na minha casa, mas logo vai pra casa de uma amiga e ganhar um irmão gatinho especial. Também é irmão da Lili, do Michel e do Teló.
Tem hoje sete meses e é uma graça. Ontem passei por lá, estavam todos comendo. Me deu uma emoção ver as orelhas cortadinhas, castradinhos queridos. Mas uma hora quero ir com a câmera e tirar uma foto do grupo :)


Gato #9
Siamesa fêmea de olhos lindos
Esta, na verdade é da frente, mas como foi a última que peguei e agora vou dar um tempo nas colônias dali, vou postar aqui. Ela foi direto pra gatoeira no dia que coloquei, mas, como demorou pra fechar, pois eu acho que o potinho tinha escorregado e descido, puxei a corda com minha mão pra ele ficar lá. Deu certo. O fato de a gatoeira ser forrada com tecido preto impede que eles me vejam quando chego por trás. 
Esta gatinha é muito bonita também. Só teve um probleminha na castração dela, pois o veterinário se esqueceu de cortar a orelhinha esquerda para fazer a marcação. Como ela é a única siamesa por lá, acho que não tem muito problema, desde que ela não saia dali.


Como comentei, os que estão faltando (quatro ao todo) estão espertos e não entram na gatoeira. O placar já está em 5 X 0 para o gatinho preto, que eu chamei de Mega Sena. Os gatos da lanchonete são dois fixos e um itinerante, que também sambaram na frente da porta da gatoeira e não entraram, mesmo com a fome que estavam e o sachê de atum lá dentro.  O plano agora é começar a ajudar uma pessoa que tem uma turma com quinze gatos ferais e uma outra, que tem mais ou menos vinte. Ainda tem uma amiga que alimenta quatro. Tem gato que não acaba mais em Blumenau. Vou me distrair com esses, depois de umas duas semanas volto para onde estava até agora, quando já tiverem esquecido da minha existência.  

Estou preparando um material para divulgação, a fim de conseguir mostrar meu trabalho e, eventualmente, conseguir participação financeira para as próximas castrações. Se alguém tiver alguma dica de como fazer para conseguir doações, aceito sugestões. Por enquanto, o projeto é financiado pela venda do meu livro, porém já não vou muito mais longe com o que tenho. Mas ele terá um post especial, em breve.

Muito obrigada.

Um abraço, até a próxima.

Maria Cecília